Time GRANDE!

Como você sabe que um time é Grande, mas GRANDE, mesmo? Quando os torcedores de TODOS os outros times torcem contra ele, oras!

Do proprietário deste blog, Marcos Doniseti.

domingo, 16 de dezembro de 2012

O povo tem que ser tão ativo quanto à torcida do Corinthians!


Is we, brother! - por José Roberto Torero, da Carta Maior


Ser campeão do mundo não é apenas uma vitória esportiva. É também um farol, um sinal. É como se disséssemos a nós mesmos que podemos ser tão bons quanto os melhores. E não só no futebol, mas também em educação, em saúde, em ciência, etc...

Acabo de chegar do estádio de Yokohama. Não há como não ficar um tanto ufanista. Não só pela vitória, mas pela garra, pela festa, pela torcida, pelo jogo bem jogado e, vá lá, pela vitória mesmo.

O futebol é o esporte mais amado do planeta. Os grandes clubes do chamado primeiro mundo (como se houvesse mais de um) gastam centenas de milhões de euros, ou, no caso, de libras esterlinas, para montar uma grande equipe. Ainda assim, o todo-poderoso Timão, com uma formação quase cem por cento nacional (tivemos a ajuda de um peruano e de um argentino), conseguiu superar os todo-poderosos europeus. 

Ser campeão do mundo não é apenas uma vitória esportiva. É também um farol, um sinal. É como se disséssemos a nós mesmos que podemos ser tão bons quanto os melhores. E não só no futebol, mas também em educação, em saúde, em ciência, etc... Mas para isso é preciso tratar estas coisas sem importância como tratamos o importantíssimo esporte bretão (sim, isso é ironia, aviso aos desavisados).

Se, assim como o Corinthians, tivéssemos um tanto mais de coragem, 
se perdêssemos nosso complexo de inferioridade em relação aos estrangeiros, 

se conseguíssemos fazer um certo planejamento, 

se pudéssemos ter um tanto mais de dinheiro, 

se nossa torcida fosse unida em torno de um time (esse item é bem importante),

e se tivéssemos um bom goleiro (esse também), 

poderíamos vencer os países mais ricos. E em vários sentidos. 

Educação, por exemplo.

Para um sujeito ser um bom jogador são necessárias algumas coisas que podem produzir também grandes cientistas, filósofos ou artistas. 

Para começar há a detecção e o direcionamento do talento. Do mesmo jeito que um bom técnico percebe se um garoto leva jeito para ser zagueiro, goleiro ou centroavante, um bom professor percebe se uma criança tem tendência para ciências, literatura (obrigado pelo incentivo, dona Maria das Graças) ou geografia. E a partir daí eles começam a ser estimulados na direção do seu talento. 

Tanto o jogador de futebol quanto um físico nuclear ou um filósofo devem ter muitos anos de preparação, e ela deve começar quando ele ainda é pequeno. Assim, o futebol de praia, de rua ou de várzea tem a mesma função dos primeiros anos de escola, e as categorias de base num clube podem ser bem parecidas com o segundo grau. Quanto à faculdade, corresponde à entrada no time profissional, o que coincidentemente acontece lá pelos 21 anos. 

As coisas melhorariam muito se o professor de verdade fosse tão bem tratado quanto os “professores” Tite, Luxemburgo e Muricy (não precisamos de salários de meio milhão de reais, mas um salário digno já seria uma ajuda e tanto), e, principalmente, melhorariam muito se a educação tivesse tanta atenção quanto o futebol. Quantos minutos temos sobre educação no Jornal Nacional e quantos minutos sobre futebol? 

Mas para que isso aconteça é preciso que a torcida pressione, que a torcida empurre o time, assim como faz a Fiel. E não só votando no dia da eleição do clube, ou do país. É preciso ir à beira do campo e gritar e agitar bandeiras.

O povo tem que ser tão ativo quanto à torcida do Corinthians.

As salas de aula só serão tão bem tratadas quanto os estádios quando a população se organizar e disser, com a mesma segurança que dizem os corintianos: “É nóis, mano!”

José Roberto Torero é formado em Letras e Jornalismo pela USP, publicou 24 livros, entre eles O Chalaça (Prêmio Jabuti e Livro do ano em 1995), Pequenos Amores (Prêmio Jabuti 2004) e, mais recentemente, O Evangelho de Barrabás. É colunista de futebol na Folha de S.Paulo desde 1998. Escreveu também para o Jornal da Tarde e para a revista Placar. Dirigiu alguns curtas-metragens e o longa Como fazer um filme de amor. É roteirista de cinema e tevê, onde por oito anos escreveu o Retrato Falado.

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